ELEIÇÕES 2022

PP, PSD e DEM-PSL iniciam dança das cadeiras em busca de protagonismo em 2022

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Em disputa direta para se transformarem na maior força política no Congresso Nacional da eleição do próximo ano, PP, PSD e União Brasil, legenda que será criada com a fusão de DEM e PSL, disputam palmo a palmo o passe de possíveis candidatos a governos, Senado e Câmara.

O objetivo central dos três partidos é eleger a maior bancada na Câmara dos Deputados, desempenho que definirá o tempo de propaganda eleitoral e o volume de recursos dos fundos partidário e eleitoral ao qual terão acesso na legislatura de 2023 a 2026.

O sucesso nas urnas também daria primazia ao partido a indicar o candidato à presidência da Câmara dos Deputados, cargo considerado chave no modelo brasileiro de presidencialismo de coalizão.

Para atingir seus objetivos, as três legendas adotam estratégias diferentes. O PP, por exemplo, mergulhou no governismo e pode atrair para o seus quadros até mesmo o presidente Jair Bolsonaro, hoje sem partido e que concorrerá à reeleição.

Além de tentar eleger a maior bancada do Congresso, a legenda também mira a recondução do deputado federal Arthur Lira para a presidência da Câmara no biênio 2023-2024 e quer manter o maior controle possível do Orçamento federal.

A proximidade com o governo e a capacidade de acessar recursos por meio de emendas parlamentares é o seu principal ativo para ganhar corpo durante a janela eleitoral de abril do próximo ano e chegar ainda mais forte nas eleições.

A meta do PP é ampliar as bancadas na Câmara e no Senado em pelo menos um terço, para manter a influência e negociar espaços no futuro governo, seja um segundo mandato de Bolsonaro ou com um opositor do atual presidente.

Antes resistente à filiação de Bolsonaro, o PP passou a defender a entrada do presidente na legenda após a concretização da fusão entre PSL e DEM. Líderes do PP viram no bolsonarismo uma possível âncora para aumentar a bancada em 2022.

A possível filiação de Bolsonaro pode causar turbulências em diretórios estaduais do PP em estados como Pernambuco, Bahia e Paraíba, gerando uma debandada de parlamentares para outros partidos.

Na Paraíba, por exemplo, a senadora Daniela Ribeiro, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ensaiam um movimento de saída da sigla se a filiação do presidente for efetivada. Podem migrar para o PSD.

Em Pernambuco, o PP não vai romper a aliança com o PSB, partido de oposição a Bolsonaro. O deputado federal Eduardo da Fonte, cacique da sigla no estado, batalha pelo apoio do ex-presidente Lula na disputa pelo Senado.

Mas, na cúpula do partido, as resistências são vistas como pontuais e a avaliação é que o partido deve crescer com a chegada de nomes ligados ao bolsonarismo. O primeiro reforço de peso foi consolidado no último mês, com a filiação do governador de Roraima, Antonio Denarium.

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Também devem migrar para o partido outros quadros ligados ao presidente, caso da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM), e do ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD). Ambos vão concorrer ao Senado por Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte, respectivamente.

Desgarrado do núcleo do centrão, o PSD optou por se afastar do governo Bolsonaro e se firmar com uma rede de líderes nos estados que consegue transitar entre aliados do campo da esquerda e da centro-direita.

Por isso, ao contrário do PP, o PSD teria facilidade de ser protagonista no Congresso tanto em caso de reeleição de Bolsonaro como em um eventual governo Lula, líder nas pesquisas de intenção de voto e com quem o presidente da sigla, Gilberto Kassab, mantém pontes.

Fundado há 10 anos a partir de uma dissidência do DEM, a legenda tem como prioridades tentar ganhar robustez nos maiores colégios eleitorais e tentar eleger ao menos 60 deputados federais, formando o que seria a maior bancada da Câmara.

O primeiro passo foi tirar do DEM o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, movimento que deve se consolidar na próxima janela eleitoral com a filiação de deputados federais e de potenciais candidatos aliados ao prefeito.

Um dos nomes esperados é o do ex-presidente da Câmara, o deputado federal licenciado Rodrigo Maia. Ele deve trazer junto para o partido seu pai, o ex-prefeito e atual vereador na capital César Maia.

Em São Paulo, o partido disputa com a União Brasil a filiação do ex-governador Geraldo Alckmin, que deve deixar o PSDB para concorrer ao cargo mais uma vez.

Na cúpula do PSD, a avaliação é que a filiação ao partido traria mais segurança a Alckmin, já que o diretório paulista da União Brasil está sendo disputado por diferentes grupos com a fusão do PSL e DEM. Por outro lado, o novo partido daria maior robustez financeira à candidatura do ex-governador.

O PSD também disputa com a União Brasil o passe do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para lançá- lo como candidato à Presidência da República e robustecer a bancada em Minas Gerais, onde passaria a ter três senadores.

O partido também negocia trazer para os seus quadros outros prefeitos e ex-prefeitos de capitais com potencial de voto no próximo ano. O movimento começou no Maranhão, com a filiação do ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda, que deixou o PDT. Ele é pré-candidato ao governo do estado.

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Também no Nordeste, o PSD deve abonar em breve a ficha do ex-prefeito de Maceió Rui Palmeira, que disputará uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Depois de cumprir dois mandatos filiado ao PSDB, Palmeira migrou para o Podemos no ano passado. A confirmação do fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais, contudo, fez o ex-prefeito buscar uma legenda mais robusta para concorrer às eleições do próximo ano.

O PSD também disputa com a União Brasil o passe do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), potencial candidato ao governo de Santa Catarina. A avaliação é que o partido, com maior capilaridade no interior do estado, asseguraria um palanque mais sólido ao prefeito.

A União Brasil, contudo, também deve contra-atacar para se manter como a maior bancada do Congresso Nacional, posição a qual deve chegar com a validação da fusão entre DEM e PSL pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Além de Alckmin em São Paulo, o partido está de olho no passe do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que vai concorrer à reeleição, mas se vê às voltas com os conflitos internos em seu próprio partido.

Outros potenciais candidatos a governos estaduais estão na mira do partido: Amazonino Mendes (sem partido), no Amazonas, e Capitão Wagner (Pros), no Ceará.

Este último vinha negociando sua filiação ao PSL, mas a mudança pode refluir caso o novo partido não lhe dê garantias de concorrer ao governo. Em negociações pelo apoio do PDT em quatro estados, o DEM quer evitar um confronto direto com os pedetistas no berço de Ciro Gomes.

A expectativa é que a União Brasil seja referendada pelo TSE até fevereiro, possibilitando ao partido ganhar novos quadros já na janela eleitoral. O objetivo é tentar neutralizar numericamente a já prevista debandada de deputados.

“Vai haver uma dança das cadeiras, uma reacomodação do quadro político-partidário”, avalia o ex-deputado Mendonça Filho, que vai assumir uma das vice-presidências da União Brasil.

Além dos deputados do PSL mais ligados ao bolsonarismo, também há previsão de baixas no DEM, caso do ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, que negocia migração para o PL para ser candidato a governador do Rio Grande do Sul.

A primeira baixa registrada no novo partido foi a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que filiou-se nesta semana ao PSDB do aliado João Doria. Como a fusão ainda não foi referendada, o PSL diz que questionará a desfiliação na Justiça.

REPORTAGEM: JOSÉ MATHEUS SANTOS E JOÃO PEDRO PITOMBO

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Política Nacional

Moro lança livro em SP e diz que Bolsonaro “sabotou” o combate à corrupção no país

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© Alex Silva/Estadão O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, tentou mostrar que acredita na mudança daqueles que votaram em Bolsonaro em 2018.

O pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sérgio Moro, mostrou nesta terça-feira, 7, que quer conquistar o voto do eleitorado de Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto no ano que vem, em especial do eleitor que crítica o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, mas que não concorda com o fechamento dos Poderes.

Em fala durante lançamento de seu livro Contra o sistema da corrupção, em São Paulo, Moro disse que, quando ministro, foi sendo progressivamente minado no combate à corrupção. “Faça-se justiça ao presidente, em parte também pela ação dos outros Poderes, tanto do Congresso quanto do Supremo Tribunal Federal”, afirmou, lembrando que se “entristeceu” com decisões tomadas pela Corte. “A gente tem que respeitar essas instituições. Não quer um país sem Congresso e sem Supremo porque isso é um país sem democracia”.

Na sequência, Moro acusou Bolsonaro de “sabotar” os avanços contra a corrupção. “Não deveria acontecer da justiça anular condenações (…). Mas faz parte da separação dos poderes. O que era difícil para mim era ver que o presidente não ajudava, ao contrário, ele sabotava os avanços na consolidação do combate a corrupção” afirmou. Em outro momento, falou que esta não era a pauta de Bolsonaro.

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Sobre as acusações de que teria “traído” Bolsonaro, Moro defendeu que fez o necessário para defender a Polícia Federal e o interesse dos brasileiros. “Não fui desleal ao presidente, fui leal ao país”, disse, pautando a fala na defesa de instituições que, acredita, foram “intimidadas” pelo governo, citando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o ICMBio e o Ibama.

O ex-ministro tentou, ainda, mostrar que acredita na mudança daqueles que votaram em Bolsonaro em 2018, minimizando o que teria sido um “erro”. “Perguntavam para o eleitor se tinha votado no Bolsonaro como se ele fosse cúmplice de um crime”, ironizou, enquanto defendeu que o “erro” do voto foi “acompanhado por mais de 50 milhões de brasileiros”.

A tentativa de distanciamento entre Moro e Bolsonaro se acentuou no último mês, em que Bolsonaro também manteve uma postura de desqualificar o ex-juiz. Em diferentes declarações, o presidente afirmou que Moro é “mentiroso”, “idiota” e “não aguentaria “dez segundos em um debate”.

No último domingo, Moro chegou a recusar o termo “terceira via” para nomear sua candidatura, na tentativa de se colocar como alternativa capaz de chegar ao segundo turno. Conforme o Estadão mostrou, a rejeição a Moro é similar a Bolsonaro: entre quem ganha até dois salários mínimos por mês, o ex-juiz é rejeitado por 74% do eleitorado, praticamente a mesma do presidente nessa faixa, 73%.

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Apesar de defender que o diálogo sobre o livro não tem relação com sua participação na política, Moro voltou a se colocar na disputa presencial. “O sentido mais básico da democracia é você poder trocar o governo sem derramamento de sangue”, disse.

Os ingressos para acompanhar a fala do ex-juiz em São Paulo custaram entre R$ 40,00 e R$ 95,00. Essa foi a terceira cidade em que ele passou na agenda de lançamento do livro, sempre defendendo uma pauta “lavajatista” e minimizando críticas à operação. O primeiro evento foi em Curitiba (PR), município onde tramitaram os processos sob sua responsabilidade quando comandou a Operação Lava Jato. Ele retorna à capital paraense ainda nesta semana para acompanhar a filiação do ex-procurador Deltan Dallagnol ao Podemos.

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