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CYNTHIA LEMOS – Na hora da demissão, posso dar feedback?

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Na hora da demissão, posso dar feedback?Sugerimos que não.A demissão como o nome já diz significa: ACABOU, FIM, ou seja, não há mais o que investir, o que TENTAR ou REATAR. É o momento do ADEUS, ou seja, entende-se que tudo que poderia ter sido feito foi feito, porém é preciso encerrar o ciclo, pois dentro do ciclo presente após várias tentativas, não há mais possibilidades. É por isso que existem as avaliações de experiência, de desempenho, os acompanhamentos diários e feedbacks, ou pelo menos, o processo deveria ser assim. Aquele líder que se sente ansioso ou incomodado e dá o feedback na hora da demissão, só se sente assim ou porque não cumpriu seu papel de tentar ajudar, orientar e resgatar de forma clara, focada e dedicada, ou no momento do desligamento sente culpa, sente incômodo, porque existe provavelmente no seu interior um humano que tem como valores o senso de justiça e ter que demitir sem ter feito o mínimo, gera culpa.Dessa forma, o processo e as oportunidades geradas por meio da cultura da Gestão do Conhecimento e Aprendizagem implantada nos negócios se tornam tão ricas, pois é a verdadeira oportunidade de cumprirmos com a nossa missão de ajudar ao próximo e a nós mesmos, pois quando ensinamos, aprendemos juntos, e o feedback é uma ferramenta muito forte e eficiente para isso.Assim, no momento da demissão não é hora de dar feedback, e se estiver sentindo que ainda acredita, que não cumpriu com sua parte como líder, reveja a ação e reconsidere o desligamento. Se não tiver como, apenas seja objetivo e breve. Vou dar um exemplo da condução de uma demissão após o gestor ter acompanhado, supervisionado e realizado alguns feedbacks claros e específicos a Jonas:– Jonas, estou lhe chamando aqui, pois hoje, estamos encerrando o seu contrato com a empresa. Temos alguns objetivos a alcançar e para conquista-los, às vezes, precisamos tomar algumas decisões que nem sempre são agradáveis no momento. Queremos agradecer sua contribuição até aqui. Vou acompanha-lo até sua sala, para que recolha seus pertences, e depois lhe acompanharei até o RH.Perceba que no exemplo acima, o gestor é breve, fala de forma ampla e AGRADECE, isso é muito importante, porque aquele que passa sempre deixa um pouco de si e sua contribuição, e por menor que ela seja, pois às vezes o colaborador passou pouco tempo na empresa antes de ir, sempre devemos agradecer, já que muito raramente, alguém entrará em um projeto para fracassar, o que acontece é que em alguns momentos na vida de algumas pessoas será preciso ir até o limite para compreender e evoluir, e a demissão muitas vezes representa este limite. Se você líder cumpriu seu papel de acompanhar, orientar, ensinar, dar feedback e mesmo assim não houve reação, então, no momento da demissão não é preciso resgatar tudo isso, porque tudo já foi registrado e no momento da rescisão do contrato, a pessoa que está sendo desligada saberá o porquê. E esta é a melhor forma, a mais ética e a mais respeitosa de encerrar um ciclo, com a dignidade de que contribuiu, e que a demissão é uma forma de dar a última oportunidade de processamento, de evolução e transformação, por pior que seja essa experiência.Assim, o que precisamos ter claro é que o feedback de melhoria está para antes do ato de demitir, como real tentativa de desenvolver e poder reter aquele profissional de forma satisfatória.Se na sua cabeça você está mirabolando como você vai justificar esse desligamento, talvez você não tenha feito o seu maior papel como líder, que é de desenvolver, acompanhar, corrigir e reforçar comportamentos em prol da busca dos melhores resultados para ambos: empresa e colaborador.Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos. Email: [email protected]

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ISMAEL ALMEIDA – O petróleo é deles. A conta é nossa.

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Desde a criação da Petrobrás em 1953, inaugurada sob o mote “O petróleo é nosso”, que o Brasil sonha com a autossuficiência na produção de combustíveis. Os defensores dessa tese sustentavam que isso ocorreria através do monopólio estatal sobre a exploração das atividades da indústria petrolífera. Isso foi assegurado na Lei 2.004, de 1953, que deixou à iniciativa privada a permissão de explorar apenas a distribuição dos combustíveis.

No entanto, anos mais tarde, a lei 9.478 de 1997 estabeleceu o fim do monopólio da União no setor e permitiu a abertura do mercado para que outras empresas explorassem o recurso no Brasil. Mas na prática, a Petrobrás continuou com o monopólio da exploração.

O fato de ser uma empresa de economia mista lhe garantiu o recebimento de grandes investimentos públicos e privados. Isso a tornou tão poderosa que, de certa forma, inibiu a chegada de novos entrantes no mercado. Poucas empresas toparam enfrentar essa concorrência direta com uma empresa onde a União é a acionista majoritária com 50,3% das ações ordinárias com direito a voto.

No entanto, essa maioria controlada pelo Governo não impede que a atuação da Petrobrás continue sendo pautada pelos interesses dos acionistas privados, que visam apenas o lucro, ignorando o fato de que a estatal também tem um objeto social.

Lembremos que a lei 9478 colocou entre os objetivos da Política Energética Nacional a proteção dos interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos. A referida lei também criou a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e lhe deu a atribuição de fiscalizar o cumprimento desses objetivos. Mas parece não haver ninguém preocupado com isso.

Na verdade, essa crise atual é consequência de alguns fatores: atuação da Petrobrás apenas para garantir os lucros dos seus acionistas; governos que se negam a reduzir impostos em tempos de crise; distribuidoras e postos que não repassam ao consumidor as eventuais reduções de tributos feitas pelos governos e; a baixa capacidade de refino do país.

Esse último ponto merece destaque. O Brasil é exportador de petróleo, mas importa derivados, especialmente o óleo diesel. Isso porque o parque de refino do país é insuficiente para atender a demanda nacional e a integração global das cadeias do setor, e p1sforços feitos nesse sentido foram sabotados pela corrupção. Projetos de novas refinarias, como a Comperj, no Rio de Janeiro e Abreu e Lima em Pernambuco foram arruinados pela ação de larápios descobertos pela Operação Lava Jato. O fracasso dessas iniciativas reforça a importância de retomar o processo de venda das refinarias da Petrobrás, de forma que o investimento privado possa potencializar a nossa capacidade de refino.

É evidente que uma empresa como a Petrobrás está sujeita aos soluços de crises internacionais. A guerra entre a Rússia e Ucrânia jogou o valor do barril de petróleo a níveis estratosféricos nos últimos meses, impactando os preços no Brasil devido à Política de Paridade de Preço Internacional (PPI), adotada desde o Governo Michel Temer, e apontada por alguns como a causa do problema.

Mas isso não exime os governos de atuarem de maneira mais incisiva para controlar a situação nesse momento. E não falo de intervencionismo, de medidas populistas como congelamento de preços, algo que teria o efeito inverso ao desejado, como já se fez no passado. Existem algumas ações possíveis, sobretudo se tomadas de forma conjunta, que podem minimizar os impactos da crise.

Se o petróleo é mesmo nosso, é preciso que os lucros da Petrobrás, sobretudo os auferidos com a alta dos preços, sejam também utilizados para amortecer o impacto nos nossos bolsos. Os Estados, que aumentaram sua arrecadação com a alta dos combustíveis, também poderiam dar sua parcela de contribuição revertendo parte dessa arrecadação em programas que aliviem o custo do combustível, principalmente para aqueles mais vulneráveis a essas variações.

Ismael Almeida, consultor Político e especialista da Fundação da Liberdade Econômica.

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